Carnaval 2026: um vilão está à solta e exige atenção
Entenda por que o óleo lubrificante usado gerado na operação de trios elétricos e veículos de apoio demanda coleta e destinação adequada.

Você já parou para pensar que o Carnaval vai além de música, pessoas e cultura? Nessa época a festa é grande e existem resíduos que ficam longe dos holofotes do público. Um deles é o Óleo Lubrificante Usado ou Contaminado (OLUC), resíduo resultante do desgaste do óleo lubrificante utilizado em motores após longos períodos de operação.
Mas afinal, o que é e de onde vem o OLUC?
É aquele óleo preto que sai dos motores, mais comumente dos carros e motos, quando é realizada a troca em postos de combustíveis, concessionárias ou oficinas. O que muita gente não sabe é que ele está presente em grande quantidade também na folia, mais especificamente, nos trios elétricos, geradores e carros de apoio que fazem parte do Carnaval do começo ao fim.
E quanto isso impacta nesse Carnaval?
A estimativa é que apenas a edição de 2026 do carnaval de Salvador/BA gere cerca de 12 mil litros de OLUC, considerando a operação dos trios elétricos e dos veículos de apoio que atuam nos circuitos oficiais da cidade. O volume chama atenção não só pela escala, mas pelo seu potencial de impacto: um único litro de OLUC pode contaminar até 1 milhão de litros de água.
Nos principais circuitos da Bahia, como Barra-Ondina e Osmar (Campo Grande), cada um dos 200 veículos percorre cerca de 27 quilômetros ao longo dos seis dias de festa.
Na prática, um trio elétrico de grande porte opera com motores de alta cilindrada tanto para deslocamento quanto para geração de energia. Em média, o motor do caminhão consome cerca de 40 litros de óleo lubrificante, enquanto os geradores responsáveis pelo som e pela iluminação exigem aproximadamente 20 litros a mais. Ao todo, são cerca de 60 litros por veículo. Aplicada à frota estimada, isso resulta em uma média de 12 mil litros de OLUC gerados ao longo dos 6 dias de festa, isso significa que os 12 mil litros gerados durante o Carnaval teriam capacidade de contaminar o equivalente a 109 vezes o volume do Dique do Tororó, um dos principais mananciais naturais de Salvador.
Imagine que diferente do combustível, que é consumido ao longo do trajeto, o óleo lubrificante não se perde gradualmente: ele precisa ser totalmente substituído após ciclos intensos de uso, uma característica típica do Carnaval, marcado por longas horas de festa contínua, baixa velocidade e elevado estresse térmico dos motores.
O que acontece depois que esse óleo usado é trocado?
Quando o som abaixa e cada folião retorna para casa, o OLUC também deve seguir seu caminho: o rerrefino. Após a troca de óleo dos veículos, esse resíduo deve ser coletado por uma empresa autorizada pela ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), como a Lwart, que utiliza um processo tecnológico para transformá-lo e deixá-lo pronto para voltar ao mercado como matéria-prima sustentável, dando origem a novos lubrificantes. Assim, ano após ano, carros, trios e geradores continuam rodando sem perder o ritmo do Carnaval.
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