Gabrielly Morais·22/05/2026·2 minutos

Relatório de Sustentabilidade: por que ele se tornou estratégico para as empresas

Camila Gallassi explica como o Relatório de Sustentabilidade organiza dados, promove transparência e apoia a tomada de decisão nas corporações.

No dia a dia do mundo corporativo, somos impactados por uma avalanche de informações. Campanhas internas, resultados financeiros, ações de Diversidade, Equidade e Inclusão (DE&I), metas ambientais e sociais.

Mas, afinal, há uma forma de organizar tudo isso?

E onde essas informações ficam disponíveis de forma transparente, confiável e acessível?

É justamente aí que entra o Relatório de Sustentabilidade, um documento cada vez mais estratégico para empresas comprometidas com a sustentabilidade, o ESG e a economia circular.

Para entender como esse relatório é construído e qual sua real importância, conversei com Camila Gallassi, engenheira ambiental formada pela UFSCar e pós-graduada em Projetos Sustentáveis e Inovações Ambientais pela UFPR.

Atualmente, Camila atua na Lwart Soluções Ambientais, empresa referência na transformação do OLUC (Óleo Lubrificante Usado ou Contaminado) em Óleo Básico do Grupo II, promovendo impacto ambiental positivo em larga escala.

Em um bate-papo ping-pong, ela explicou por que o Relatório de Sustentabilidade vai muito além de um documento institucional.

Ping Pong com Camila Gallassi

Gabrielly Morais - Qual a origem do Relatório de Sustentabilidade e por que ele é importante?

Camila Gallassi - “O Relatório de Sustentabilidade surgiu da necessidade de as empresas demonstrarem, de forma transparente, os impactos de suas atividades na sociedade, no meio ambiente e na economia.

Na década de 1990, as discussões globais sobre desenvolvimento sustentável ganharam força. Em 1997, surgiu a Global Reporting Initiative (GRI), organização internacional responsável por estabelecer diretrizes para esses relatórios.

A criação da GRI está ligada a um contexto de maior preocupação mundial com a responsabilidade ambiental das empresas, especialmente após o desastre ambiental do Exxon Valdez, em 1989, no Alasca.”

G.M. - O que caracteriza um Relatório de Sustentabilidade de alto padrão?

C.G. - “Um bom Relatório de Sustentabilidade precisa ser transparente, claro e confiável.

Ele deve apresentar os impactos ambientais, sociais e econômicos de forma equilibrada, mostrando tanto os resultados positivos quanto os desafios enfrentados pela organização.

Além disso, é fundamental seguir diretrizes reconhecidas internacionalmente, trabalhar com dados mensuráveis, estabelecer metas e garantir a comparabilidade das informações ao longo do tempo.”

Camila também destaca conceitos essenciais presentes nas normas da GRI:

  1. Impacto: Efeitos positivos ou negativos que a empresa gera na sociedade, meio ambiente e economia.

  2. Exatidão: Apresentação de dados corretos e precisos.

  3. Clareza: Informações transmitidas de forma simples e compreensível.

  4. Materialidade: Identificação dos temas mais relevantes para a organização e seus públicos.

  5. Stakeholders: Públicos interessados pelas ações da empresa.

  6. Verificabilidade: Capacidade de comprovar a veracidade das informações divulgadas.

  7. Comparabilidade: Possibilidade de comparar dados ao longo do tempo ou entre organizações.

  8. Devida diligência: Processo de identificar, prevenir e gerenciar riscos e impactos negativos.

G.M. - Como esse documento é construído? Existe um método específico?

C.G. - A construção do relatório começa pela identificação dos impactos econômicos, ambientais e sociais gerados pela organização.

Depois disso, é realizado o processo de materialidade, que define os temas mais relevantes para a empresa e seus públicos estratégicos.

Com esses temas definidos, inicia-se a coleta de dados em diferentes áreas, reunindo informações como:

  • Consumo de energia;

  • Emissões atmosféricas

  • Gestão de resíduos;

  • Saúde e segurança;

  • Diversidade;

  • Desempenho econômico.

G.M. - O Relatório de Sustentabilidade pode ser considerado uma forma de democratização das informações?

C.G. - “Sim. O Relatório de Sustentabilidade democratiza o acesso às informações da organização. Por meio dele, investidores, colaboradores, clientes, fornecedores e a comunidade conseguem acompanhar, de forma transparente, o desempenho e os impactos gerados pela empresa.”

G.M. - Quais são os principais padrões e diretrizes internacionais utilizados?

C.G. - As principais normas utilizadas são:

GRI (Global Reporting Initiative)

SASB (Sustainability Accounting Standards Board)

IFRS

Além deles, muitas empresas utilizam os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU e os princípios do Pacto Global como referências estratégicas.

G.M. - Como esse relatório influencia a tomada de decisão?

C.G. - “O Relatório de Sustentabilidade contribui diretamente para a tomada de decisão de investidores e stakeholders. Ele fornece informações sobre gestão de riscos, governança, responsabilidade social e questões ambientais, fortalecendo a confiança e a credibilidade da empresa.”

G.M. - Quais são os maiores desafios na elaboração desse material?

C.G. - “O tamanho do desafio depende do perfil de cada empresa. Empresas de grande porte ou com operações complexas, podem enfrentar dificuldades na coleta e consolidação dos dados por ter muitas áreas distintas. Para organizações menores ou que ainda não possuem uma cultura consolidada de sustentabilidade e gestão de dados ESG, é um desafio pois demanda tempo, recursos financeiros e engajamento interno significativo”

Ao longo da conversa, ficou claro que o Relatório de Sustentabilidade vai muito além de um documento corporativo.

Ele se tornou uma ferramenta estratégica de transparência, reputação e conexão entre empresas e sociedade, especialmente em um cenário onde sustentabilidade, ESG e economia circular são cada vez mais decisivos.

Quer ver como isso funciona na prática?

Acesse os Relatórios de Sustentabilidade da Lwart Soluções Ambientais e descubra como transformamos compromisso ambiental em ação concreta.

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